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Imperatriz Ludovicense

Ficha Técnica:

Presidente: Marcelo Ferreira

Carnavalesco: Fernando Constâncio

Intérprete: Chicão

Autor do Enredo: Fernando Constâncio

"A Revolta de 1798 na Bahia"

O Desfile

-- alas | -- Alegorias | -- Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira

Ordem do Desfile (Grupo ---)

--º escola a desfilar (---)

Classificação

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Sinopse

Autores: Fernando Constâncio

Carnavalesco: Fernando Constâncio

A revolta de 1798 na Bahia

Proposta Geral do Enredo:

A Revolta dos Búzios ou Conjuração Baiana foi um movimento organizado pelas camadas populares no século XVIII, na Bahia. Insatisfeitos com com a alta dos impostos, a privação da liberdade imposta por um regime escravista, racista e segragador, alfaiates, sapateiros, bordadores, ex-escravizados e escravizados organizaram-se em um movimento com o objetivo de declarar a independência, exigindo igualdade racial, democracia, liberdade, livre comércio e a abertura dos portos. Vale destacar que a revolta dos búzios se insere em um contexto de ideias iluministas e de organizações da maçonaria, pautadas nos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade apresentados pela Revolução Francesa que refletiria diretamente em diversas partes do mundo, como a Independência do Haiti e a Inconfidência Mineira. O movimento foi descoberto após encontrarem espalhados por diversos pontos da cidade de Salvador verbetes e folhetos com frases e poemas acerca da liberdade e dos temas centrais que a Revolta buscava. Nesse sentido, acredito que o presente enredo traz aspectos importantes da história brasileira, de um movimento popular que buscou liberdade e igualdade ao enfrentar uma sociedade racista, colonial e excludente.

Sinopse:

A história que se inicia carrega em seu nome todo o significado de ancestralidade, da força de um povo e de suas raízes. Os búzios foram e são elementos importantes e de extremo significado por diversas sociedades africanas: estão presentes nos adornos que enfeitam as vestimentas ou que carregam a espiritualidade de seus rituais de fé, são marcas de fertilidade, a força dos oceanos e a prosperidade. Foram símbolos africanos de resistência e de identificação para todo aquele que lutou em nome da Revolta dos Búzios.

“Todos terão os mesmos direitos, sejam brancos, negros ou pardos.”
Lucas Dantas do Amorim Torres, Alfaiate, uma das principais lideranças da Revolta.

Era ano de 1763, final do século XVIII, quando a cidade de Salvador da Bahia deixará de ser a capital do vice-reino que fora transferida para o Rio de Janeiro. A então cidade que recebeu a esquadra de colonização do Brasil e conheceu em primeira mão a corte portuguesa enfrentará agora o declínio de sua principal atividade comercial: a cana de açúcar, influenciando a cobrança de altos impostos e o controle comercial dos produtos idos e vindos do porto de Salvador: de cá pra lá iam nos barcos e saveiros açúcar, tabaco, sacos de café, telhas, louças e madeiras;da Europa pra cá chegavam tecidos e outros produtos manufaturados - Já das Áfricas vinham a principal subsistência comercial do Brasil nos tempos de Colônia: os escravizados, que chegavam no porto da Cidade de Salvador para todo o tipo de trabalho forçado, além de serem explorados no vendeio de produtos e quinquilharias pelas ruas, praças e igrejas da cidade.

Esse cenário descrito despertará o sentimento de revolta nas mais diversas classes sociais, políticas e econômicas da cidade. Escravizados, soldados, alfaiates, militares, negociantes, bordadores, padeiros e professores da cidade de Salvador da Bahia se organizaram em prol de um movimento tendo como base os ideais Iluministas que estavam circulando em todo o mundo e que movimentou diversos movimentos em todo o mundo: A Revolução Francesa que pôs o fim da monarquia; a organização baiana maçônica Cavalheiros da Luz; a independência do Haiti de 1804, colocando fim a escravidão no país e instaurando uma república negra; e por fim, o movimento dos inconfidentes das Minas Gerais contra o domínio e a soberania portuguesa na região.

Assim, pautados nesses movimentos, tendo como cenário as ruas, praças e becos da Cidade do Salvador, os revoltosos baianos se organizaram em uma conjuração tendo como base por fim as desigualdades existentes em Salvador. Buscavam abolir a escravidão, que colocava grande parte da população da cidade em péssimas condições; queriam proclamar a República, colocando fim aos domínios de Portugal e decretar a abertua dos portos da cidade, podendo negociar com diversas nações. Os ideais dos revoltosos sobre liberdade e igualdade, além de críticas às formas de governo da região, foram espalhados pela cidade por meio de panfletos e da recitação dos ideais em praças e em locais de grande movimento da cidade. Assim, buscavam espalhar suas ideias e conclamar o levante.

Estes povos venturosos
Levantando os braços soltos
Desfeitos em mil pedaços
Feros grilhões vergonhosos,
Juraram viver ditosos,
Isentos de vil cobiça,
Da impostura e da preguiça
Respeitando os seus Direitos
Alegres e satisfeitos
Ao lado da sã Justiça.
(Poema espalhado pela cidade pela conjuração com ideais de Liberdade e Igualdade)

O levante que se organizará para acontecer durante a madrugada, sob a luz da lua iluminando a Bahia de Todos os Santos, foi interrompido com a denúncia e o vazamento da organização, levando a perseguição e o aprisionamento dos principais líderes do movimento. Após as investigações e os julgamentos iniciou-se um verdadeiro cortejo da morte pelas ruas de Salvador. Açoites, deportações e enforcamentos ao som dos sinos das igrejas sob a regência de soldados, religiosos e homens de justiças desciam as ladeiras da cidade acompanhados de festejos, palmas e de ornamentações nas casas das elites locais até que os tambores e cornetas anunciando as mortes silenciaram o som dos sinos das igrejas. Os urubus bailavam nos céus da cidade e alimentavam-se da ignorância dos vencedores.

Com o passar do tempo a história cumpriu seu papel e reconheceu os verdadeiros heróis da Conjuração Baiana. O tempo reconheceu o devido valor do movimento e eternizou as ideais e ideias revolucionários dos escravizados e alfaiates da Bahia do século XVIII. Lucas Dantas, Luiz Gonzaga, Manuel Faustino e João de Deus Nascimento seguem presentes com seus ideias pulsantes em todo aquele que luta e sonha por um Brasil libertador, igualitário e sem discrimiação. A Conjuração baiana se faz presente em livros e poemas, tem seu devido reconhecimento através de medalhas de condecorações e se perpetua ao som do Olodum para todo o mundo. Hoje, esses ideais estão presentes no girar da coroa e no rugir da Imperatriz Ludovicense que de cabeça erguida busca liberdade e igualdade e sonha voltar pro seu lugar de direito no carnaval virtual.

A Revolução se faz presente!
Texto e Sinopse: Fernando Constâncio

Referências Bibliográficas:

LENE, Hérica. Memória e história da imprensa na Bahia: os pasquins sediciosos da Revolta de 17981.

KÜHN, Fábio. Inconfidência Baiana ou “A Conjuração dos Alfaiates”.

TAVARES, Luís Henrique Dias. As idéias dos revolucionários de 1798. 2013.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Bahia, 1798. EDUFBA, 2010.

TEIXEIRA, Marli Geralda. Revolta de Búzios ou Conjuração Baiana de 1798: uma chamada para a liberdade. 2013.

Samba Enredo

Compositores

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Intérprete

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LETRA DO SAMBA ENREDO

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