Menu fechado

ARREBATADOS POR MOMO

Ficha Técnica:

Presidente: Elídio Fernandes Jr.

Comissão de Carnaval: Elidio Fernandes Jr, Guilherme Emanuel e Mateus Alves

Intérprete: Em definição

Autores do Enredo: Comissão de Carnaval (Elídio Fernandes Jr, Guilherme Emanuel e Mateus Alves)

Contribuição: Departamento Cultural (Beth Dawes, JP Mourão, José Anderson Moura de Amorim, Vivi Veloso)

"A chama que nunca apaga…Viva São João"

O Desfile

-- alas | -- Alegorias | -- Casal de Mestre Sala e Porta Bandeira

Ordem do Desfile (Grupo ---)

--º escola a desfilar (---)

Classificação

--

Sinopse

Autor: Comissão de Carnaval (Elidio Fernandes Jr, Guilherme Emanuel e Mateus Alves)

Contribuição: Departamento Cultural (Beth Dawes, JP Mourão, José Anderson Moura de Amorim, Vivi Veloso)

"A chama que nunca apaga…Viva São João"

INTRODUÇÃO

“Não é o som do vento
Nem o estrondo do trovão…
É o roncado da sanfona
Me chamando pro São João…”

Sou um viajante arrebatado pelas riquezas populares do nosso Brasil. Folguedos, festanças, cores, ritmos, culinária…é um encantamento sem fim neste mundão de “Meu Deus”.

Foleando uma revista enquanto voava para meu destino, me deparei com uma questão: Festa Junina e Festa de São João são a mesma coisa? Hoje em dia já são até julinas! Não dá para imaginar estas festas sem São João, Santo Antônio ou São Pedro; também não se pode imaginar um arraiá sem suas quadrilhas e comidas típicas. Tudo tem sabor: sabor de história… Quero ver tudo isso. Mas enquanto não chego….

Nas idas e vindas do tempo e das páginas da revista, essa festa se transfigurou ao gosto regional. Sincrética, admite a equivalência entre Xangô e São João nos terreiros de Candomblé, na Bahia. Eita!… E não é que no Pantanal a tradição portuguesa de dar banho no santo para reacender suas forças sobrevive até hoje? Disso eu nem desconfiava…

“Pula a fogueira, iaiá…” diz a cantiga sem deixar que a gente perceba que o fogo, de grande simbolismo em diversos cultos, foi domesticado pela igreja católica. E quem diria que essas brincadeiras tão presentes em nossas festas tenham um passado tão distante… Conta a tradição que o fogo foi usado para noticiar o nascimento de João. Curiosidade: Tal qual Jesus, São João é o único a ter o dia de seu nascimento comemorado, e não o da morte, como é comum…

E essa viagem que não acaba…quero logo chegar!…

Não é de hoje que as festas de São João se tornaram grande sucesso em áreas urbanas. Ao ligar os dois principais eixos da vida social, em dias santificados, a rua e as igrejas eram iluminados, janelas enfeitadas com tecidos coloridos e potes de flores…Com a chegada da Família Real Portuguesa em nossas terras, vários hábitos festivos também foram se incorporando, como fogos de artifício e a quadrilha junina.

Nossa…da corte portuguesa para o jeca-tatu…

Estava aqui pensando que a imagem do homem interiorano, com seus traços, suas roupas e seus trejeitos assumiram lugar central nas festas de São João. Mas sem dúvidas por conta de um imaginário construído pelo olhar do homem da cidade, reforçado pela propaganda do Biotônico, do personagem lobatiano e pelo inesquecível Mazaropi. Sem contar com o pequeno Chico Bento…rs… São muitos os traços positivos que tornaram este homem ‘mais puro’ representante da nostalgia e da idealização de um passado. Mas seria este matuto um bufão dos nossos tempos?

Enfim…a viagem está acabando… E lá vem ela!

O ENREDO

A moça assume o microfone: “Preparem-se para chegar ao maior arraial do mundo. Esse São João é a mais brasileira de todas as festas. Entre fogueiras, balões, bandeirinhas, brincadeiras, música e culinária, vocês vão apreciar um grande concurso de quadrilhas que se prepararam para um verdadeiro show. E lá estará ele, nosso santinho de devoção, carregando um cordeirinho nos braços. Inocente criança que dorme e que a festa – profana e sagrada – quer despertar com seus fogos e rojões”. E entoa com uma doce voz:

“Capelinha de Melão é de São João
É de Cravo, é de Rosa, é de Manjericão
São João está dormindo
Não acorda, não!
Acordai, acordai, acordai, João!”

E, entoando essa linda cantiga, distribuiu um chapéu de palha para cada passageiro e sentenciou: “Apertem os cintos. Os Senhores estão chegando ao maior São João do Mundo: Bem vindos a Campina Grande!”

Saindo do aeroporto, peguei o Expresso do Forró, um trem “maluco” que passou pela estação velha, em Galante, lugarejo que parece bem cheio de gente que veio para a festa. Aquela locomotiva toda decorada tem até forró com trio pé de serra ao vivo durante a viagem! E já fomos recepcionados por quadrilhas… “Não tem folia melhor!”

Essa viagem foi inesquecível… me lembro de cada sensação…

Enfim chegou o dia…e lá fui eu admirando a beleza deste lugar para o arraial… Ah…dava para escutar, ao longe, os primeiros sons…as pessoas em romaria caminhando rumo ao mesmo destino. Mas era muita gente! “Olha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais. Olha! Quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai…”. Eram tantos sons e visões e cheiros…um universo cintilante cheio de vida pulsante. As misturas faziam parte daquilo tudo: A festa é de São João, mas tinha Santo Antônio e São Pedro também… Transbordava a alegria de todos que estavam vivendo aquela atmosfera. E como não ficar feliz!?Cada um à sua maneira chegou naquele lindo cenário de festa: as crianças queriam as brincadeiras, tinham aqueles cheiros das comidas típicas, a barraca do beijo e o correio do amor sempre tinha uns adeptos… Quaquaraquaquá…tinha um homem se arriscando no pau de sebo; me lembro que nem dava para ver qual a prenda tinha lá em cima! Comi milho cozido – me disseram que ele simboliza a fartura da colheita. Mas também experimentei a pamonha, a canjica, macaxeira, arrumadinho, mugunzá, carne de sol…O moço da barraca me apontou um grande mastro, que, segundo ele, se tratava de um antigo costume pagão de levantar a “árvore da fertilidade”; uma homenagem aos três santos de junho…tão bonito, todo enfeitado com flores e fitas. Aliás, para onde olhava só via cores…muitas!…um festival pros olhos…

“O balão vai subindo, vai caindo a garoa…o céu é tão lindo e a noite tão boa…”. Todo balão que sobe é um voto de gratidão ou um pedido para São João. Aliás, me recordo de uma senhora ajudando as moças com suas adivinhações para conseguir um casamento. São tantas formas de os devotos saberem mais de sua vida, pedir, agradecer…Pelo jeito, Santo Antônio sempre trabalhou muito por lá: no dia dele teve festejo especial com vários casamentos coletivos! Muitos sonhos têm início sob as bençãos do Santo Casamenteiro. Houve até um concurso das estrelas, que elegeu o melhor casal de noivos, casal junino, rainha e rainha “g” da diversidade.

“Anarriê…Anarriê…Tem rojão pra todo lado”. Cheguei a me assustar!… Parece que em breve iriam começar as quadrilhas… Nossa: que igrejinha mais linda era aquela aquela do cenário! Ah, é a catedral de Nossa Senhora da Conceição! E do lado tem o Cassino Eldorado, a Cadeia e a Câmara… um grande cenário emoldurando esta festa… é quentão, é pipoca, pamonha, pinga, forró, gente, gente… é uma festa de gente… por isso é o maior São João do mundo… “Seu delegado, prenda o Tadeu: ele pegou a minha irmã e…” – há anos não ouvia essa música. Aliás: Que os santos abençoem esses divinos criadores de tantas canções… Os pares desse formavam e o forró dava o tom, mas eu sempre preferi um xote…rsrsrs. Na verdade, “nas trincheiras da alegria o que explodia era o amor!”

E quando começou o festival e quadrilhas? Eram tantas!!! Tinham as novatas e outras tradicionais: Quadrilhas campeoníssimas sempre atraem olhares mais carinhosos e curiosos, afinal, possuem grande história. Corri para a pirâmide, onde elas se apresentaram… Me lembro muito bem daquele espetáculo.

“Quadrilha é bom
Quadrilha é bom
Quadrilha é dança que não tem na capital
No sertão tocou quadrilha
Todo mundo vai dançar”

E veio a primeira… Com tudo que tinha direito… Junina Sextinha de Flor. Depois vieram a Cambebas, a Flor do Lampião, a Rojão do Forró e a Filhos de Campina. Ouvi muito falarem falecida da Dona Lenira, responsável por dedicar sua vida às quadrilhas juninas, principalmente a sua quadrilha: Arraiá da Felicidade. Um moço me contou que o velório dela foi uma coisa bem curiosa, do jeito que ela gostava, nada de tristeza, teve trio pé de serra e a quadrilha Flor do Lampião dançando em volta de seu caixão.

A Moleca 100 Vergonha chegou chegando…logo entendi sua fama e fome de títulos…nem sei quantas vezes ganhou o festival: até na tevê se apresentou… Até campeã brasileira já foi! Devia ser o terror das outras quadrilhas… Ah, mas a Arraial em Paris não deixou por menos. Que espetáculo: esse povo levantava a poeira de tanto dançar. Quanta energia! Aquilo não tinha fim…a cada quadrilha fazia mais sentido ser o “maior São João do mundo” – um verdadeiro festival da cultura popular nordestina do Brasil… Chegou a vez da Mistura Dengosa: uma moça me disse que ela era novinha, mas bem respeitada já tendo sido até campeã também… Eu não saberia julgar, todas são lindas…

E foi inesquecível a última a se apresentar… E uma linda voz feminina deu o tom entoando os primeiros versos…

“Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão
Que eu levava a Santo Antônio
São João ficou zangado
São João só dá cartão
Com direito a batizado…”

Uma notava começar sua apresentação: dizem que é bom prestar atenção. Lá vinha Quadrilha dos Arrebatados!

Seu enredo falava de uma história de amor! Girando em torno de um casamento, com o casal de noivos, o padre, o delegado, os padrinhos e os convidados: inclusive bacamarteiros, para impedir a fuga do noivo safado…rsrsrs. Uma linda apresentação que se encerrou em torno da fogueira, quando finalizaram sua dança…

Ah, essa Quadrilha Arrebatada…

Meu São João nunca mais foi o mesmo… todos os sentidos eriçados pela profusão de cheiros, cores, sons e sabores, além do contato humano… A fogueira, embora tenha uma raiz cultural, poderia tranquilamente ser pequenina, simples e até cenográfica. Isso não importa! Só quem experimentou esse arraial pode entender o que estou falando…

(…)

Todo carnaval é a mesma coisa… adoro carnaval de rua, principalmente aqueles com as marchinhas. Pessoas fantasiadas ou simplesmente enfeitadas, assim como eu. De repente toca aquela canção do Lamartine Babo:

“Chegou a hora da fogueira!
É noite de São João…
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão…
Pensando na cabocla a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração…”

Memórias de Campina Grande se reavivam… Tiramos uma selfie enquanto estávamos no bloco. E nela, mais uma vez a lembrança daquela viagem mágica, uma camisa da minha quadrilha preferida em verde azul e branco. E nela está escrito: A chama que não se apaga…Viva São João! – Arrebatados 2021.

OBS: narrativa ficcional livremente inspirada em cancioneiro popular.

Obra de Base:

Revista de História da Biblioteca Nacional. Ano IV, nº 45: junho de 2009.

Canções em ordem de citação:

  • São João de todos os tempos, de Ferreira Filho e Romulo Cesar.
  • Pula a fogueira, de Getúlio Marinho e João Bastos Filho.
  • Capelinha de melão, de Alberto Ribeiro e João de Barro.
    Trem Maluco, de Jorge Nobre.
  • Isso aqui tá bom demais, de Dominguinhos e Nando Cordel.
  • Sonho de papel, de Carlos Braga e Alberto Ribeiro.
  • Anarriê, de Cecílio Nena e Lalo Prado e Reinaldo Barriga.
  • Festa do interior, de Abel Silva e Moraes Moreira.
  • Prenda o Tadeu, de Clemilda.
  • Quadrilha é bom, de Marinês.
  • Isso é lá com Santo Antonio, Lamartine Babo.
  • Chegou a hora da fogueira, Lamartine Babo.

Idealização/Colaboração: JP Mourão, Guilherme Emanuel, Mateus Alves e José Anderson Moura de Amorim. Pesquisa e texto: Elidio Fernandes Junior

Samba Enredo

Compositores

---

Intérprete

---


LETRA DO SAMBA ENREDO

---

---

---